Filme • Crime

Garotas Só Querem Vingança

3,5 de 5 2026 1h 32min Onde assistir: Filmelier+ Publicado em
Crítica sem spoilers

Amber e quatro amigas viajam para uma cidade no deserto em busca de diversão, mas um confronto com moradores locais hostis transforma a festa em uma violenta luta pelo controle e pela sobrevivência.

A primeira impressão que Garotas Só Querem Vingança passa pode sugerir apenas mais um filme de ação no deserto, mas a estreia da diretora Izabel Pakzad vai bem além disso. A trama acompanha cinco amigas em uma viagem cheia de festas pela Califórnia até que um evento traumático transforma o passeio em um pesadelo. O grande trunfo do longa não está só na perseguição em si, mas em colocar o dedo em uma ferida bem mais dolorosa: o estigma, o julgamento e a falta de acolhimento que mulheres vítimas de violência sexual enfrentam, inclusive de quem está ao seu lado.

A protagonista Amber é o ponto mais firme da narrativa. O contraste entre a dor profunda que ela carrega e a postura alienada e fútil de suas amigas cria um clima de desconforto constante. É justamente essa solidão velada que nos conecta com a dor de Amber e dá peso para cada decisão sua na tela. Ficamos do lado dela do início ao fim, acompanhando uma jornada que exige muito mais do que garra física para continuar de pé.

Se por um lado Amber é uma personagem com várias camadas, por outro o grupo de amigas acaba ficando preso a estereótipos bem engessados. Temos a insuportável, a alienada, a inabalável e a empática. Essa falta de profundidade gera um problema no clímax: quando a perseguição começa pra valer e o perigo é real, fica difícil criar uma torcida genuína por garotas com as quais quase não nos conectamos. Torcemos para que escapem porque os agressores são desprezíveis, mas a tensão funcionaria muito melhor se o roteiro tivesse trabalhado essas amizades com mais humanidade.

No quesito ambientação, o filme acerta em cheio ao construir uma atmosfera sufocante. O deserto passa uma sensação permanente de ameaça, onde qualquer olhar de um morador local parece prenunciar um perigo iminente. Para completar, as cenas de ação e confronto não pisam no freio: a violência é gráfica, direta e visceral, o que ajuda a transmitir a urgência e o desespero extremo vividos por aquelas mulheres na tentativa de sobreviver.

No fim das contas, a produção esbarra em suas próprias limitações narrativas. Ao tentar equilibrar o entretenimento violento de um thriller com um debate social tão denso, o roteiro por vezes trata esses temas de forma um pouco rasa e apressada. Ainda assim, é uma obra que consegue cumprir seu papel de prender a atenção, criar tensão e, acima de tudo, levantar um questionamento fundamental sobre a urgência de apoiar e escutar a dor de quem passou por uma violência.

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