
As Crianças Estão Bem
As Crianças Estão Bem (Les Enfants vont bien, 2025), dirigido por Nathan Ambrosioni e estrelado por Camille Cottin, conta a história de Suzanne (Juliette Armanet), que chega de surpresa à casa da irmã Jeanne (Camille Cottin) em uma noite de verão, trazendo os dois filhos pequenos.

Às vezes nos deparamos com filmes que entregam todo o seu caminho nos primeiros minutos, e As Crianças Estão Bem se encaixa perfeitamente nesse grupo. A produção francesa parte de uma premissa muito conhecida: Jeanne tem uma vida totalmente regrada, focada no trabalho e sem espaço para imprevistos, até que a chegada surpresa da irmã com dois sobrinhos muda tudo. Quando a irmã desaparece sem deixar rastros no dia seguinte, a protagonista se vê forçada a assumir a guarda das crianças. A partir daí, a história segue cada passo do manual do gênero sem grandes desvios.
O desenvolvimento da trama aposta sem hesitar em fórmulas já bastante desgastadas. Acompanhamos aquela transição esperada: a rejeição inicial da nova rotina, o caos das primeiras tentativas de cuidado e, finalmente, a aproximação afetuosa com os pequenos. O grande problema é que a direção tenta evitar o melodrama excessivo, mas acaba entregando um retrato raso, onde as viradas emocionais acontecem mais por conveniência do roteiro do que por uma evolução psicológica real da protagonista.

As crianças em si pouco têm espaço para existir como indivíduos com sentimentos próprios. Elas funcionam basicamente como engrenagens de um processo de mudança voltado para Jeanne. Os conflitos dos pequenos são retratados através dos clichês de sempre, como episódios de birra, problemas na escola e aquele desabafo clássico desafiando a autoridade da tia. Tudo serve apenas como degrau para a jornada de aprendizado da personagem principal.
A dinâmica ganha contornos ainda mais questionáveis com a entrada da ex-esposa da protagonista. Aos poucos, fica claro que o término do relacionamento anterior aconteceu justamente porque Jeanne não queria ter filhos. A narrativa acaba conduzindo a situação como se a maternidade compulsória fosse a única forma válida de amadurecimento e felicidade, tratando a recusa inicial como algo a ser superado para atingir uma ideia bem tradicional de família.

O longa esbarra no acúmulo de tópicos densos sem dar a devida atenção a nenhum deles. Abandono parental, depressão e dinâmicas familiares disfuncionais são citados ao longo do caminho, mas a condução prefere os caminhos mais simples e confortáveis. Faltou coragem para mergulhar na complexidade dessas relações, resultando em uma obra que patina na superficialidade e na repetição de chavões.
Gêneros: Drama

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