
Os Farofeiros 3
A família Samepal desembarca na ilha de San Martinez, no Caribe, para uma roubada inédita. Convidados por Rocha para o casamento da filha, Anita, em um resort de luxo, Lima, Jussara e Renata descobrem que o anfitrião mentiu e reservou quartos em um hotel fajuto. Além de confusões com idioma, câmbio e imigração, o grupo tenta salvar a cerimônia.

Esticar a corda da comédia nacional até o limite da exaustão raramente termina bem, e “Os Farofeiros 3” é o retrato exato desse desgaste. Quando a premissa de tirar o grupo de férias da sua zona de conforto e levá-los para uma ilha caribenha parecia abrir margem para frescor, o que se vê em tela é um retrato cansado de fórmulas que já deram o que tinham que dar.

O grande calcanhar de Aquiles do filme não passa nem perto do elenco, que reúne nomes de peso e com timing cômico mais do que provado no audiovisual brasileiro. Maurício Manfrini, Cacau Protássio, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro e Nilton Bicudo são competentes individualmente, mas parecem completamente perdidos e diluídos diante de um roteiro raso e sem ambição. Falta química entre os casais principais, com exceção de Lima e Jussara, que ainda conseguem segurar alguma coesão na dinâmica de dupla, enquanto o restante do grupo se apoia em atuações exageradas e sem justificativa narrativa, a começar pelas escolhas caricatas de Danielle Winits e por núcleos totalmente dispensáveis, como a subtrama da paternidade de Diguinho e a participação de Aline Campos. É perceptível a tentativa de colar um humor com traços estadunidenses que simplesmente não conversa com a essência do nosso jeito de fazer rir, gerando mais constrangimento do que gargalhadas genuínas.

Por outro lado, o projeto pontua alguns respiros na parte visual e no núcleo jovem. A fotografia aposta em imagens vibrantes que dão cor ao cenário paradisíaco de San Martinez, mesmo que a montagem em si tropece em sequências longas, pontuadas por narrações fragmentadas que dão ao filme uma sensação incômoda de colcha de retalhos. O grande destaque positivo, e irônico, acaba vindo do elenco infantil, que consegue traduzir com muito mais naturalidade e leveza aquilo que os adultos tentam forçar o tempo todo. São as crianças que salvam alguns dos momentos mais genuínos da projeção, enquanto o restante patina em repetições de bordões e piadas requentadas.

No fim das contas, a obra peca por acreditar que apenas manter a estrutura dos antecessores e colocar todo mundo numa viagem internacional seria suficiente para conquistar o espectador. É um projeto que exige muita boa vontade para ser digerido, perdendo o ritmo e a força exatamente por não se arriscar de verdade em novos caminhos. Indicado para quem busca um entretenimento extremamente passivo, sem grandes exigências narrativas ou para deixar rodando de fundo, o filme acaba provando que nostalgia e repetição de fórmulas já não bastam para sustentar uma comédia relevante no cenário atual.
Gêneros: Comédia

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