Filme • Drama

Medley

2,5 de 5 2026 1h 33min Onde assistir: Cinema Publicado em
Crítica sem spoilers

Lola é uma promessa juvenil da natação que possui um vínculo de trauma e cura com a água. Vivendo um relacionamento conturbado com a mãe, a garota viveu um choque no passado que a impede de nadar o estilo borboleta, algo que ela precisa superar para dominar as piscinas e abraçar todo o seu potencial.

Quando um filme se perde entre a delicadeza de um drama intimista e a pressa de uma fórmula comercial manjada, o tropeço é quase inevitável. É exatamente esse o beco sem saída em que Medley se enrosca. Baseado no livro de Keka Reis, que também assina o roteiro, e conduzido pela diretora Ana Luiza Azevedo, o longa acompanha a jovem Lola (Mel Maia) após um rompimento drástico com a mãe, Catarina (Mariana Lima). Revoltada, ela é despachada para a fazenda de um tio no interior fluminense, onde encontra na natação e na calmaria da natureza o cenário ideal para um processo genuíno de transformação.

A grande força da produção está justamente nessa pegada de coming of age contemplativo. Quando a direção desacelera e permite que a protagonista se conecte com o ambiente ao seu redor, o filme ganha uma textura orgânica e muito charmosa. Ajuda muito o fato de que Mel Maia entrega um trabalho admirável, tirando Lola do lugar-comum da adolescente insuportável e injetando nela uma bagunça emocional legítima e palpável, secundada com sobriedade por Mariana Lima nas breves interações que compartilham.

O problema é que o roteiro sofre de uma necessidade incompreensível de ceder a atalhos fáceis. No esforço de dialogar com as tendências de narrativas teen de idas e vindas, a história se desvia para conflitos amorosos totalmente artificiais, especialmente na dinâmica com Gabriel (Guthierry Sotero). Esses núcleos paralelos não apenas deixam de empurrar a protagonista adiante, como são sumariamente abandonados no meio do caminho sem qualquer senso de encerramento dramático. Com apenas uma hora e meia de duração, gastar preciosos minutos com esses becos narrativos esvazia o fôlego da obra, criando um conflito de identidade permanente. Fica a impressão de um projeto dividido entre a própria essência autoral e um apelo populista que simplesmente não lhe cai bem. Para quem busca um drama de amadurecimento com belas sacadas visuais e uma atuação central corajosa, há faíscas de talento para aproveitar, mas a irregularidade da execução pesa na balança. No fim das contas, uma obra dividida que oscila entre o encanto genuíno e a frustração.

Gêneros:

Comentários

Ainda ninguém comentou. Que tal ser o primeiro?

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

0/2000

1

Não perca nada!

Receba recomendações, listas exclusivas e novidades toda semana.

Trailer

Compartilhar nos Stories

Montando a imagem…
  1. Toque em Compartilhar e escolha Instagram → Story (serve também para Status do WhatsApp e Stories do Facebook).
  2. O link já fica copiado. No story, toque no ícone de adesivos, escolha Link e cole.
  3. Publique! Quem tocar no adesivo cai direto aqui no site.
Baixar imagem